Livros da Floresta
   
quem somos fale conosco
introdução

“O homem é um ser político porque é um ser literário”, nos diz Jacques Rancière (1995) em “Políticas da Escrita”. Bartomeu Melià (1989), em ensaio intitulado “Desafios e tendências na alfabetização em língua indígena”, retoma a polêmica questão concernente à introdução das comunidades de tradição oral no universo da cultura do impresso. Sensível às complexas implicações da transmissão da técnica da escrita alfabética aos povos indígenas, Melià ressalta a importância de “as novas cartilhas” produzidas em um contexto educacional comprometido com a afirmação e autonomia do saber indígena estarem abertas “à literatura indígena como criação”. Sobre a escrita alfabética historicamente recai a sombra opressiva do Estado e das diversas instituições que o representam como, por exemplo, a escola. “Não existe escola sem escrita e quase não se dá escrita sem escola”, assevera Melià. Contudo, para além de instrumento e técnica, a palavra “escrita” pode ser tomada em uma multiplicidade de sentidos, incluindo aí o da potencialidade literária almejada por Melià.